Fabricantes: Caio Induscar

Uma das maiores fabricantes de ônibus do Brasil e do mundo, a Caio ou Companhia Industrial de Ônibus teve fundação na década de 40, para ser exato em 12 de dezembro de 1945.


A fabricante que ficou conhecida principalmente pelo modelo Apache Vip, foi fundada pelo imigrante italiano José Massa, no bairro da Penha em São Paulo, onde ficou em funcionamento até o ano de 1982, a primeira carroceria produzida pela empresa foi o Caio Jardineira e teve pouco mais de 146 unidades vendidas, anos depois em 1952 a fabricante lançava o seu primeiro modelo de carroceria metálica e com estrutura de aço em U, tendo abas e chapeamento externo em aço, 6 anos depois a Caio se torna a primeira fabricante do país a trazer o primeira carroceria com  chassi urbano, era ele o LP-321 da Mercedes Benz, que também foi o primeiro a trazer esse equipamento, visto que esse também foi o primeiro chassi urbano da Mercedes Benz.


Na década de 1960, a empresa apresentava o seu primeiro modelo de carroceria com formato tubular, o ônibus foi batizado de Bossa Nova e trazia construção em chapas metálicas em duplo U e no seu desenho tínhamos ai a presença de janelas largas com vidros deslizantes além de um panorâmico parabrisa dianteiro, três anos mais tarde, em 1963 a Caio lançará o Jaraguá, o primeiro sucesso de vendas da fabricante paulista, o modelo também era urbano e trazia maior área envidraçada em um conceito mais leve, porém em 1965 a empresa realizou um facelift, onde o modelo ganhou uma nova grade dianteira e um conjunto de quarto faróis. Voltando ao início de 1960, a fabricante fundou em 1962 a Companhia Industrial de Ônibus do Nordeste, que era sediada em Jaboatão-PE, ficou conhecida como Caio Norte e possuía um potencial produtivo de 40 unidades por mês, sendo inaugurada em 1966 e comandada por José Roberto Massa, filho de José Massa, ainda em 1966 a empresa apresentou no salão do automóvel o seu primeiro rodoviário, batizado de Gaivota e era muito bem acabado e confortável, além desse modelo a Caio também trouxe ao mercado o micro Verona e o urbano Bela Vista.


Chegamos a 1971 e a Caio Induscar completa 25 anos de atividades e para comemorar o aniversário de 2 décadas e meia a fabricante lançou o modelo Jubileu, dedicado ao segmento rodoviário o ônibus trouxe motor traseiro, mais tarde, em 1974 a empresa apresentou um outro grande sucesso de vendas e aclamado por muitos busologos, o Caio Gabriela marcou com design mais retilíneo e parabrisa panorâmico, além dele foi lançado o micro Carolina I, este que foi sucessor do Verona. Em 1976 a empresa fabricante adquiriu a fabricante de carrocerias Metropolitana S/A do Rio de janeiro e deteve a tecnologia do deralumínio e lançou o Gabriela II, com vigia inteiriço, além disso foi o primeiro modelo a ser vendido em versão articulada com os recentes e novíssimos chassis Volvo nacionais e Scania com motorização dianteiro. Um ano depois ela lançou dois modelos de rodoviário, o primeiro foi Corcovado, que trazia em sua composição estrutural o alumínio e o Itaipu, rodoviário turismo, que foi originado do Caio Gabriela, no ano seguinte a empresa encerrou as atividades da Fábrica de Carrocerias Metropolitana RJ.


Em 1980 a empresa seguia prosperando e a Caio foi a encarroçadora escolhida para construção do "papamóvel", já que neste ano o Brasil recebeu a ilustríssima visita do Papa João Paulo II, onde a empresa foi fabricado sobre o micro Carolina em duas unidades que transportaram o Papa durante a sua passagem por algumas cidades brasileiras, nesse mesmo ano começaram o processo de transferência das unidades da rua Guiaúna em São Paulo e Metropolitana no Rio de Janeiro, para a nova unidade em Botucatu-SP, haja vista que a mesma ainda estava em construção, a unidade Botucatu-SP foi inaugurada em 1982 e contava com um barracão de 30 mil m², em um terreno de 200 mil metros quadrados e área de construção com pouco cerca de 76 mil m², naquela época a planta era uma das maiores fábricas do mundo com capacidade para produção de 700 unidades por mês. Ainda em 1982 a Caio lançava outro grande sucesso no mercado urbano, era ele o Caio Amélia com construção em aço ou alumínio, além de um rodoviário batizado de Aritana, onde trazia um desenho em linhas quadradas e um acabamento simples, onde foi inspirado no modelo Gabriela, vale ressaltar que o Amélia era substituto do Caio Gabriela urbano. Mais tarde, em 1985 a empresa investe novamente no setor rodoviário e lança o Squalo com design arrojado em alumínio, sendo ele parte da comemoração do 40° aniversário da fabricante e da inauguração oficial da fabrica de Botucatu. Em 1988 a empresa lançava em substituição ao modelo urbano Amélia, o Caio Vitória que também foi sucesso nas vendas e entre busologos. O ônibus trazia linhas limpas e modernas, com equilíbrio harmônico que foi ressaltado e exaltado nas versões padron e articulado com motorização central, a empresa fabricou cerca de 280 unidades por mês desse modelo. A década de 90 chegou e em 1994, a empresa investiu pesado no mercado de exportação para a América do Norte, com isso acabou lançando um modelo rodoviário batizado de Monterrey, que trazia o chassi Mercedes Benz OH e o Beta, monobloco sobre chassi de projeto próprio e que trazia suspensão mista, ambos foram expostos na 3° Expobus realizada em setembro de 94 em São Paulo.


Em dezembro de 1995, a Caio completava 50 anos de operações e em comemoração lançou o Caio Alpha, substituto do Caio Vitória que foi lançado 7 anos antes e liderou as vendas com 28.000 mil unidades vendidas por todo o país, em 1996 a empresa recebeu o selo de certificação ISO, sendo a primeira fabricante de ônibus a receber tal certificado. No ano de 1997 a empresa apresenta versão Intercity do Caio Alpha, dedicado ao segmento intermunicipal e turismo, o ônibus trouxe aspectos em seu desenho que o diferenciava do modelo de 1995, as diferenças eram: parabrisa dianteiro mais largo e o traseiro menor, itinerários interno, para-choques mais robustos e lanternas traseiras maiores.


Quase no fim da década de 90, para ser exato em 1998, a empresa trouxe três grandes lançamentos, o primeiro tratou-se de um micro Piccolo, substituto do Carolina e seu irmão menor o Piccolino, lançado nas versões standart e luxo, por fim a empresa trouxe o futurista modelo urbano Millenium (em produção até hoje e já na sua 4° geração), o modelo era e é focado nos chassis de motorização traseira e foi lançado nas versões piso alto e low-entry (piso baixo), posteriormente ganhará uma versão articulada, você pode conhecer a história e a evolução da linha Millenium Clicando Aqui.


Em 1999 a fabricante em meio a uma grande crise lançou o modelo urbano que marcou época, o Caio Apache S21 que fazia mensão ao novo século que se aproximava foi lançado com um design bem bacana que misturou linhas curvas e retas. Em 2000 a empresa completou 55 anos e "entrou num processo de recuperação judicial".


No ano de 2001 a empresa volta ao mercado pelas mãos da Induscar, resultado do Grupo Ruas e da união de muita gente que não queria deixar a marca perder seu valor e pessoas perderem seus empregos e é aí que a Caio acerta em cheio, ainda nesse mesmo ano ela lançou o novo modelo urbano da linha Apache, batizado de Vip I, o modelo foi um marco na história da empresa, já que tinha um design similar ao do Caio Millenium I, porém com um desenho mais harmônico e uma presença marcante de linhas curvas, o modelo foi vendido em massa para a capital de São Paulo e se saiu muito bem nas vendas nacionais, ganhando versão trucada e que foi vendida em grande escala para a cidades nordestinas como João Pessoa- PB e Recife-PE. Já em 2002, durante a 4ª fetransrio, a encarroçadora apresentou dois protótipos do ônibus rodoviário Giro 3400 com 3,4m de altura, sendo esse o primeiro modelo da pós crise que a fabricante passou, o ônibus trazia 12,7m de extensão e capacidade total para 42 passageiros. 


Em 2003, a empresa lançou a 2ª geração do Caio Millenium, o novo modelo era apropriado para qualquer tipo de chassi de piso baixo, mas poderia ser vendido com piso alto também, além de ter versões articuladas e trucadas, o novo Millennium trouxe um desenho inovador e linhas redesenhadas e que reforçaram um conjunto harmônico impecável, tornando-se um veículo para o mercado premium do segmento urbano, em seguida, no ano de 2004 a Caio fabricou para o próprio Grupo Ruas 30 unidades de um modelo biarticulado que recebeu o nome TopBus e que iriam operar nos corredores da cidade de São Paulo, ainda neste ano a fabricante traz ao mercado o rodoviário Giro 3600 com 3,6m de altura, voltado para viagens de médias e longas distâncias com suporte a chassis de motorização central e traseira. Em 2005 a empresa exportava 530 veículos para o Chile, todos eles eram do lançamento Caio Mondego, que trazia como característica o motor traseiro, além disso a empresa participou de um acordo com a sul-africana Bussmark, para montagem de carrocerias, a serem remetidas do Brasil sob a forma SKD, ainda no fim de 2005 a Caio dando continuidade a atualização de seu portifólio de produtos, lançou o micro Foz, que chegou ao mercado em 4 versões: urbana, turismo, executivo e escolar. Onde foram anunciados como os maiores em largura interna do mercado e podendo comportar 4 bagageiros laterais sob o piso e mais um traseiro, ainda em 2006, a encarroçadora lança o Foz Super, o primeiro urbano medio ou micrão de sua produção, Era parecido com o modelo menor e tinha pouquíssimas alterações, sendo a principal delas, uma abertura no formato de C acima da grade, além do lançamento do Mondego HA, versão articulada do Mondego.


Em 2007, a empresa desenvolve o Apache S22, uma reestilização, do S21, dedicada ao mercado de urbano simples, em maio a empresa lançou em parceria com a Mercedes Benz o mini Atilis. Ainda nesse mesmo ano o parque fabril da encarroçadora passava por um processo de modernização. Em 2008, a encarroçadora encerrou a fabricação do modelo Piccolino, para dar espaço a Foz mini, este que tinha entre 7m e 8m de diâmetro e foi projetado para aceitar todo tipo de chassi, a novidade tinha um grande número de aplicações indo desde o serviço executivo até o trabalho rural. Foi em 2008 também que ocorreu a formação do Grupo Caio Induscar, que visava atender melhor a demanda de fabricação e o próprio mercado, além disso foi instalada a fabrica de fibras, batizada de Fiberbus.


Em 2009 a fabricante estoura com o modelo Apache Vip II, outro grande marco na história da encarroçadora, já que o modelo foi sucesso de vendas em escala nacional, possuindo unidades do novo Apache Vip em praticamente todas as capitais do Brasil, além disso foi em 2009 que a Induscar assumiu oficialmente a Companhia Industrial de Ônibus, passando a ser conhecida como Caio Induscar e arrematando em um leilão o prédio e instalações da mesma. Nesse mesmo ano é inaugurada a Inbrasp, fabrica de peças
plástico.


Em 2010 a Caio fechou parceria com a Volvo México e lançou o Caio Solar 3.200. No ano de 2011 a Caio completava 65 anos de operações e 10 como Caio Induscar e lança a 3ª geração do Caio Millenium, modelo com motor traseiro, mas que teve versões articuladas e trucadas, no ano de 2012, a encarroçadora aposta no sistema BRT e lança o robusto e diferente Caio Millenium BRT em 3 versões convencional (alimentador), articulado, biarticulado.


Em 2013 durante a fetransrio a empresa lança uma rápida atualização do Caio Apache Vip, batizada de Vip III a novidade manteve o mesmo desenho da edição anterior, com pouquíssimas alterações no design, sendo a principal delas observada no desenho da grade frontal, ainda em 2013, ela lança o novo Caio Solar, com um novo design interno e externo e também reestilizou o seu micro ônibus Caio Foz, a atualização variou desde o design estrutural até acabamento, proporcionando assim um maior conforto para o usuário e modernizando a carroceria.


Em 2014 a Caio Induscar realiza o seu apogeu com a atual edição do Apache Vip, o lançamento do Apache Vip IV chamou a atenção de todos, pois trata-se de uma evolução no design jamais vista na linha Vip, as mudanças foram trazidas por um novo conjunto ótico, uma nova geometria e luz de posição (day running lights DRL), em LED, aumentando a durabilidade das lâmpadas, a traseira recebeu um bloco de LED e intercambiáveis, o Apache Vip IV foi um concorrente direto para o modelo da Marcopolo, na época o Torino 2014 e hoje também para o modelo Torino 2018 vendido em duas versões (Standart e Plus). No ano de 2015 a Caio Induscar realiza a inauguração de um novo parque fabril, dessa vez na cidade de Barra Bonita-SP e atualiza o Caio Solar 3400 com 3,4m de altura, trazendo versões de motorização traseira e dianteira, além de um facelift na linha Caio Mondego.



Em 2016 a empresa comemorou 70 anos de operações, 15 como Caio Induscar e realizou durante a fetransrio uma exposição de fotos das propagandas com os modelos que marcaram a encarroçadora dentro de um Millenium BRT. Nesse mesmo ano a empresa apresentou as novas gerações do Millenium e Millenium BRT, o modelo urbano focado em chassi de motorização traseira foi lançado nas versões piso alto, piso baixo e articulado com porta BRT, já o Millenium BRT, ganhou uma 4ª versão, chamada de super articulada o veículo dispõe de eixo duplo traseiro localizado na segunda parte do veículo. Além disso manteve suas linhas aerodinâmicas, alinhando conforto, rapidez operacional, custo benefício e facilidade na manutenção.


Em 2017, a Caio pegou todo mundo de surpresa ao comprar a fabricante Busscar, a aquisição veio com a visão de ampliar a atuação da Caio mercado nacional e de exportação, vale ressaltar que essa atuação é apenas no segmento rodoviário, a Busscar voltou com tudo após lançar a linha Vissta Buss com versões menores, HD e Double Decker, ainda em 2017 a Caio apresentou o Soul Class nas versões executivo e escolar, uma parceria com a Iveco Bus que resultou no primeiro microônibus do país com o sistema de Dispositivo de Poltrona Móvel (DPM), que facilita o acesso de pessoas com mobilidade reduzida ao veículo. A Empresa encerra sua trajetória de lançamentos com o modelo F2400, um micro ônibus nas versões urbana e executiva que traz design arrojado, com linhas aerodinâmicas da região frontal a traseira do veículo, além disso a encarroçadora apresentou um novo conceito estético no interior do veículo, que foi descoberto a partir de estudos feitos pela própria fabricante.


A mais de 70 anos no mercado de ônibus nacional, a Caio Induscar revolucionou e inovou o conceito de transporte de passageiros em todos os segmentos possíveis, a sua participação no mercado de ônibus brasileiro é de suma importância, haja vista que todas as suas contribuições para a locomoção de cada um dos usuários dos grandes centros urbanos e dos municípios Brasil a fora, foram e são essenciais para os avanços nas tecnologias utilizadas nos sistemas de transporte público.
Fonte: FãBus Brasil

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