Retirada de 50 ônibus da Expresso Rei de França afeta 26 linhas urbanas de São Luís (MA).

Nesta quinta-feira (18/12), aproximadamente 16 bairros da capital maranhense amanheceram com o transporte coletivo parcialmente interrompido após a busca apreensão de 50 ônibus da empresa Expresso Rei de França, operadora do sistema urbano por meio do Consórcio ViaSL, responsável pelo atendimento das linhas do Lote 2.
O recolhimento dos veículos atende a uma decisão judicial, a pedido da empresa Golden Conton, de São Paulo, proprietária dos ônibus, em decorrência do descumprimento contratual firmado entre a operadora ludovicense e a locadora de veículos. A ação, realizada no início da manhã, foi acompanhada pela Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT) e pela Polícia Militar do Maranhão (PMMA), tendo como principal objetivo a devolução dos veículos à locadora.

Os 50 ônibus foram incorporados à frota da empresa entre 2023 e 2024, sendo 20 unidades do modelo Caio Apache Vip 5, sobre chassis Mercedes-Benz OF-1721 Bluetec 5, que operavam com as numerações de 200.700 a 200.719, e 30 unidades do Caio Apache Vip 5, sobre chassis Mercedes-Benz OF-1721L Bluetec 6, que circulavam com os prefixos de 200.722 a 200.751.

Em razão do ocorrido, usuários de 26 linhas urbanas atendidas pela Expresso Rei de França tiveram o serviço parcialmente suspenso, o que resultou no aumento do tempo de espera nas paradas. Entre as regiões mais afetadas, destaca-se o Cohatrac, onde a empresa é responsável por 8 das 10 linhas que ligam o conjunto de bairros a diferentes regiões da capital maranhense. Abaixo a lista das linhas afetadas.
Em nota divulgada pelo jornal eletrônico Imirante, o Sindicato das Empresas de Transporte de São Luís (SET) afirmou que as ações de busca e apreensão de ônibus decorrem do desequilíbrio econômico-financeiro do sistema. Segundo a entidade, o cenário é agravado pela ausência de atualização da tarifa remuneratória desde 2020, pela falta de transparência no cálculo tarifário por parte da SMTT e pelos atrasos no pagamento do subsídio, fatores que comprometem a sustentabilidade das empresas e a continuidade do serviço.

Em matéria recentemente divulgada pelo Transporte em Foco, apurou-se que a frota do sistema urbano ludovicense opera com déficit superior a 200 veículos em relação à frota total prevista, contando atualmente com cerca de 580 ônibus em circulação. Ao comentar o cenário do transporte coletivo, um empresário do setor destacou a queda no número de passageiros e, consequentemente, na receita das empresas operadoras como pontos de atenção. Além disso, segundo ele, o aumento dos custos operacionais, aliado aos investimentos necessários para a aquisição de novos veículos, não foi acompanhado pela evolução da tarifa.

Outro ponto mencionado pelo empresário foi a ausência de revisão dos contratos de concessão vigentes, o que também teria gerado impactos negativos na implementação de melhorias e na adoção de estratégias de otimização por parte das operadoras. A análise dialoga diretamente com o cenário atual do SIT - São Luís, apontado pelo Sindicato das Empresas de Transporte e refletido no cotidiano do sistema urbano por meio de paralisações, redução da frota e aumento da insatisfação dos usuários, que relatam maior tempo de espera e superlotação constante.

Embora o desequilíbrio econômico-financeiro do sistema seja frequentemente apontado como fator central da crise, episódios recentes envolvendo a Expresso Rei de França também indicam fragilidades na condução operacional e na gestão dos contratos de concessão, ampliando os impactos sobre a prestação do serviço e, sobretudo, sobre os usuários.

A Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT), responsável pelo gerenciamento e fiscalização das linhas do sistema urbano ludovicense, até o fechamento desta publicação, não se manifestou sobre a possibilidade de adoção de medidas para garantir que os milhares de usuários afetados não sofram novos prejuízos.

Atualização 23:50
A Justiça do Maranhão determinou a suspensão imediata de qualquer ação de busca e apreensão de ônibus das empresas DAJP Participações, Expresso Grapiúna e Expresso Rei de França, que estão em processo de recuperação judicial. A decisão, proferida pelo juiz Gilmar de Jesus Everton Vale, da 1ª Vara de Paço do Lumiar, impede a retirada dos veículos e garante a continuidade mínima da operação das empresas durante o período.

Segundo as recuperandas, a medida está ligada a um contrato de locação com a empresa Vamos Locação (Golden Conton), cujo crédito é anterior ao deferimento da recuperação judicial, ocorrido em 23 de novembro de 2025. Por esse motivo, a cobrança deve se submeter ao chamado juízo universal e ao período de suspensão das execuções, conhecido como "stay period".
Fonte: Transporte em Foco.
Com informações de: Imirante.com e Difusora News.

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