SIT - São Luís: Sistema Urbano opera com menos de 600 ônibus.

Durante o período de paralisação nas empresas Expresso Rei de França, Expresso Grapiúna, Transporte Marina e Speed Car, foi registrada uma crescente no número de reclamações sobre demora e atrasos frequentes em diversas linhas do sistema urbano nas redes sociais. Além disso, no início de outubro, o aplicativo de mobilidade Moovit sinalizou redução na frota de duas das empresas que paralisaram suas atividades em novembro deste ano.
A quantidade de veículos em operação no transporte coletivo da capital maranhense, um problema antigo para os usuários, segue como um dos principais fatores associados à percepção negativa do sistema. Embora o estado de conservação dos ônibus e o valor da tarifa também influenciem a avaliação do ludovicense, a frota operante continua sendo um dos destaques. Mas, afinal, quantos ônibus compõem atualmente o sistema urbano de São Luís?

Entre o início de setembro e outubro, uma pesquisa apontou que a frota do sistema urbano é formada por aproximadamente 580 ônibus distribuídos em cerca de 169 linhas, organizadas em quatro lotes operacionais. Os dados refletem o cenário observado à época da análise e consideram exclusivamente o sistema urbano de São Luís, não incluindo os veículos operantes nas linhas da região metropolitana.

A maior parte dos veículos, 421 coletivos, atende às linhas troncais, enquanto os demais se distribuem em 108 para linhas alimentadoras, 40 para linhas não integradas e apenas 11 para linhas circulares. A frota é composta majoritariamente por veículos do tipo convencional, com até 13,2 metros.

Quanto à divisão entre as concessionárias, o Consórcio Central (Lote 1) opera 70 itinerários, com 178 ônibus em atividade. O Consórcio ViaSL (Lote 2) atende 26 linhas, utilizando 72 ônibus na operação. Já o Consórcio Upaon-Açu (Lote 3) atua em 42 linhas, totalizando 191 veículos. Por fim, a Viação Primor mantém operação em 31 linhas, com 139 ônibus.

Os dados também revelam um déficit de aproximadamente 263 veículos em relação ao previsto na licitação de 2016, que estimava uma frota de 843 ônibus, formada principalmente por modelos convencionais e midis, além de alguns micro-ônibus e 20 articulados, cinco para cada lote. Segundo informações do G1 Maranhão, em 2025, a frota deveria ter 847 ônibus em operação no sistema urbano. Considerando a frota observada de aproximadamente 580 veículos, isso representa um déficit ainda maior, na ordem de 267 ônibus.

Os números refletem ainda o cenário de crise instaurado no sistema urbano e que possui influências históricas, como os congelamentos de passagens ocorridos entre 2004 e 2010, 2011 e 2014, 2020 e 2023 e, mais recentemente, entre 2024 e 2025, além da falta de políticas públicas que tratem o transporte coletivo como prioridade nas discussões de mobilidade urbana da capital. 

As informações refletem parte de uma pesquisa acadêmica desenvolvida pelo autor, assegurando precisão e atualidade na análise, e evidenciam um problema cada vez mais crítico no transporte coletivo urbano da capital. Com paralisações frequentes e uma frota reduzida e deficitária, a população que depende do serviço continua sendo diretamente afetada, recorrendo a alternativas mais caras ou menos acessíveis para se deslocar pela cidade. Apesar de avanços nos últimos anos, o sistema de transporte carece de uma parceria entre poder público e concessionárias que possibilite oferecer à população um serviço mais eficiente e de maior qualidade.
Fonte: Transporte em Foco.

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